Amor Primeiro.
EduQue - 15/06/2008.
Oa granículos escorrem céleres em minha ampulheta,
O tempo já não reconhece, o mundo tornou-se saleta,
Em vão procuro um só motivo que tire-me da sargeta,
Em vão respiro este ar infecto, recendente a boceta(*).
(*) cheiro de cigarros, de fumo.
Solidão, famélica e sanguisedenta de minhas energias.
Delas, pouco resta-me para recompor-me em harmonia,
inércia depressiva a consumir-me às noites, aos dias,
sóbrio e consciente em agonia, perco-me em nostalgias.
Por Deus, Senhora! Qual a missão que a mim coubeste,
por não sabê-la, sou nômade neste solo tão agreste,
onde semeei amores para tentar colher magias e flores,
mas regados às lágrimas, sucumbem-se em estertores.
Por Deus, Senhora! Dize-me então o que de mim pretendes,
batalhas sem causas oferecem despojos e não presentes,
olhos vendados só sabem o passado e futuros ausentes,
o agora é vácuo, onde flutuo despojado de ouros e orientes.
Por Deus, Senhora! Que desejo ser teu cavalheiro
e sair às lutas por teu amor e não pelo vil dinheiro,
à aprender do amor o sentido mais simples e verdadeiro,
e depois repousar, senhora, no útero deste amor primeiro.
Mid: My Love - The Beatles.